A violência contra a mulher continua sendo um dos principais desafios da segurança pública em Minas Gerais. Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que, entre janeiro e maio deste ano, quase 10 mil mulheres foram vítimas de agressão no Sul de Minas, evidenciando a gravidade do problema na região.
Em todo o estado, foram registrados 161.912 casos de violência contra a mulher em 2025, número superior ao contabilizado no ano anterior. Somente no Sul de Minas, foram contabilizadas 22.551 ocorrências, o equivalente a 13,9% de todos os registros estaduais.
Os números reforçam que a violência doméstica e familiar permanece recorrente e exige ações integradas de prevenção, acolhimento às vítimas e responsabilização dos agressores.
Histórias que revelam a realidade
Por trás das estatísticas estão histórias de mulheres que enfrentaram situações extremas de violência. Um dos casos é o da empresária Elen Oliveira, que sobreviveu a uma sequência de agressões ocorrida no dia 14 de junho deste ano.
Segundo o relato da vítima, ela foi mantida em cárcere privado e sofreu agressões durante cerca de 12 horas dentro da própria residência pelo ex-companheiro.
O caso evidencia uma realidade enfrentada por muitas mulheres, que sofrem violência justamente no ambiente onde deveriam encontrar segurança e proteção.
Especialistas alertam para os sinais da violência
De acordo com especialistas, discursos misóginos e comportamentos abusivos, muitas vezes reforçados nas redes sociais, contribuem para a manutenção da violência contra a mulher.
O psicólogo e psicanalista Janilton Gabriel de Souza explica que o ciúme excessivo pode ser um dos gatilhos para relações marcadas pelo controle, pela possessividade e por diferentes formas de violência.
Rede de apoio e canais de proteção
Minas Gerais conta atualmente com 70 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, além das Patrulhas de Prevenção à Violência Doméstica da Polícia Militar, que acompanham mulheres em situação de risco.
A rede de proteção também envolve o Poder Judiciário, responsável pela concessão de medidas protetivas de urgência, consideradas fundamentais para interromper o ciclo da violência.
A advogada Lorraine Portugal reforça que as mulheres devem procurar ajuda logo nos primeiros sinais de agressão física, psicológica, moral, patrimonial ou sexual.
Segundo ela, além do atendimento policial e judicial, os programas de acolhimento e fortalecimento emocional desempenham papel essencial na reconstrução da vida das vítimas.
“Hoje nós temos diversos programas e é muito importante a vítima estar inserida nessa rede de apoio, inclusive ao lado de outras mulheres que já enfrentaram essa situação, para entender que a violência tem fim, ela tem saída. A mulher precisa persistir em trabalhar a própria segurança e não desistir.”
Mesmo após sobreviver às agressões, Elen afirma que as marcas da violência permanecem no corpo e na memória. Ainda assim, decidiu compartilhar sua história para incentivar outras mulheres a romperem o silêncio e buscarem ajuda.
Fonte: G1 Sul de Minas / EPTV.
