A investigação sobre a morte da conselheira tutelar Maryna Colucci de Jesus, de 34 anos, passou a analisar também o relacionamento que ela mantinha com um policial militar e as mensagens trocadas entre os dois antes do crime, ocorrido em Jacuí, no Sul de Minas.
Maryna desapareceu na sexta-feira, 21 de agosto, e foi encontrada sem vida quatro dias depois, em uma área rural entre Jacuí e Fortaleza de Minas. Segundo a Polícia Civil, o 3º sargento da Polícia Militar José Sérgio de Oliveira, de 43 anos, confessou o crime e indicou às equipes o local onde o corpo havia sido ocultado.
Documentos e mensagens são analisados
De acordo com informações registradas pela polícia, familiares encontraram agendas, diários, fotografias e conversas que apontariam para um relacionamento mantido entre Maryna e o militar ao longo de vários anos.
As mensagens apresentadas às autoridades demonstrariam contato frequente e manifestações afetivas entre os dois. A última interação teria ocorrido na manhã do desaparecimento de Maryna.
Familiares também relataram a existência de conversas que indicariam momentos de tensão, discussões sobre uma eventual exposição pública do relacionamento e pedidos de transferências financeiras.
Essas informações fazem parte dos materiais entregues à polícia e ainda deverão ser confrontadas com outras provas. Até o momento, elas não representam uma conclusão definitiva sobre a motivação do crime.
Militar apresentou sua versão
Ao se apresentar aos comandantes, o policial confirmou que mantinha um relacionamento com Maryna. Segundo a versão dele, uma discussão teria começado após conversas por aplicativo de mensagens.
O militar declarou que Maryna cobrava que ele deixasse a família e assumisse publicamente o relacionamento. Também afirmou que ela teria ameaçado revelar a relação à esposa dele, a moradores da cidade e a integrantes da corporação.
Ainda conforme o relato do investigado, os dois se encontraram e seguiram para uma área rural. Ele alegou que ocorreu uma nova discussão e apresentou uma versão de possível reação a uma suposta ameaça.
A declaração do policial ainda será confrontada com laudos periciais, vestígios recolhidos no veículo, aparelhos eletrônicos, depoimentos e outras provas reunidas pela Polícia Civil.
Justiça mantém policial preso
A prisão preventiva de José Sérgio foi decretada durante audiência de custódia realizada na quarta-feira, 26 de agosto. Ele permanece detido em uma unidade da Polícia Militar em Pouso Alegre, mas responderá ao processo na Justiça comum.
O militar foi preso inicialmente por suspeita de ocultação de cadáver e também é investigado por feminicídio. A defesa informou que ele está colaborando com as investigações e que aguardará a conclusão do inquérito.
Maryna era conselheira tutelar e professora de educação infantil. O sepultamento foi realizado no Cemitério Municipal de Jacuí, acompanhado por familiares, amigos e moradores da cidade.
A Polícia Civil continua apurando a dinâmica do crime, a possível motivação e a participação do investigado. A prisão preventiva não representa condenação definitiva, e o caso seguirá sob análise da Justiça.
