O ramal ferroviário que liga Varginha a Lavras está incluído no projeto de concessão do Corredor Ferroviário Minas–Rio, cuja versão definitiva do edital foi aprovada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A aprovação ocorreu durante a 1.040ª Reunião de Diretoria Pública, realizada em 27 de agosto. O projeto abrange aproximadamente 733 quilômetros de ferrovias atualmente operadas pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), incluindo trechos localizados em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
De acordo com a ANTT, a proposta será dividida em dois lotes. O primeiro compreende a ligação entre Iguatama, no Centro-Oeste mineiro, e Barra Mansa, no Rio de Janeiro, além do ramal entre Varginha e Lavras. O segundo lote corresponde ao trecho entre Barra Mansa e Angra dos Reis.
Recuperação e modernização dos trilhos
O futuro operador deverá assumir a manutenção, a recuperação e a modernização da infraestrutura ferroviária incluída na concessão.
A empresa vencedora também terá prazo de até dois anos para apresentar um plano de recapacitação, documento que deverá detalhar as intervenções necessárias para recuperar a capacidade operacional da ferrovia.
No trecho entre Varginha e Lavras, a previsão divulgada é de que as operações ferroviárias sejam reativadas em até 60 meses após a assinatura do contrato. A sessão pública do leilão está prevista para 17 de dezembro de 2026, na B3, em São Paulo.
As datas ainda dependem da conclusão das etapas do processo de concessão. Portanto, a aprovação do edital não representa o início imediato das obras nem a retomada imediata da circulação de trens no Sul de Minas.
Ramal é considerado estratégico para o Sul de Minas
A inclusão do ramal Varginha–Lavras coloca o Sul de Minas dentro de uma das principais iniciativas ferroviárias em andamento no país.
A região concentra atividades agrícolas, industriais e de distribuição de mercadorias, o que aumenta a importância de alternativas logísticas para o transporte de cargas. A recuperação dos trilhos poderá ampliar a capacidade de escoamento da produção regional e reduzir a dependência do transporte rodoviário.
O projeto está direcionado ao transporte ferroviário de cargas. Até o momento, não há anúncio de retomada de trens regulares de passageiros entre Varginha e Lavras.
Aproveitamento de ferrovias existentes
A proposta do Corredor Minas–Rio se diferencia por priorizar a recuperação de trilhos já implantados, incluindo estruturas atualmente ociosas, subutilizadas ou com baixa capacidade operacional.
Segundo a ANTT, o modelo poderá servir de referência para outros projetos destinados ao reaproveitamento de ferrovias existentes no Brasil. A Agência também promoveu mudanças nas regras da etapa de viva-voz do leilão, buscando agilizar a disputa quando houver propostas com valores próximos.
Além do Corredor Minas–Rio, a carteira ferroviária da ANTT inclui projetos como Ferrogrão, Malha Oeste, Malha Sul e Estrada de Ferro 118.
A expectativa é que os novos projetos estimulem investimentos privados, modernizem a infraestrutura e aumentem a participação das ferrovias no transporte de cargas brasileiro.
Fonte das informações: Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e G1 Sul de Minas/EPTV.
